Crédito habitação: o que o banco vai pedir

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Documentos de um contrato e um molho de chaves de casa sobre uma mesa

Um pedido de crédito habitação bem preparado é analisado mais depressa e com menos idas e voltas. Este guia reúne os documentos que os bancos costumam pedir, explica o que avaliam e os termos que vai encontrar nas propostas.

Como decorre um pedido de crédito habitação

  1. Simulação: com o seu rendimento, as despesas e o valor da casa, o banco estima quanto pode emprestar e qual seria a prestação.
  2. Análise do pedido: entrega os documentos e o banco avalia a sua capacidade de pagar.
  3. Aprovação: se a análise for positiva, recebe as condições que o banco propõe.
  4. Avaliação da casa: um perito indicado pelo banco visita o imóvel e estima o seu valor.
  5. Proposta final e escritura: o banco apresenta as condições definitivas, e o contrato de crédito é assinado no dia da escritura.

Pode pedir simulações a vários bancos ao mesmo tempo. Comparar propostas é a forma mais simples de conseguir melhores condições.

Documentos pessoais

  • Documento de identificação válido; para cidadãos estrangeiros, também o comprovativo da autorização de residência, quando se aplica
  • NIF, o número de identificação fiscal
  • Comprovativo de morada
  • Documento que comprove o estado civil, se o banco o pedir
  • Mapa de responsabilidades de crédito: a lista dos créditos que tem em seu nome em todos os bancos, pedida gratuitamente ao Banco de Portugal

Se o crédito for pedido por duas pessoas, cada uma entrega os seus documentos.

Comprovativos de rendimentos

É a parte que mais pesa na decisão do banco. O número de meses ou de anos pedido muda conforme o banco, mas o conjunto é parecido:

Trabalhador por conta de outrem:
os recibos de vencimento mais recentes, uma declaração da entidade patronal com o tipo de contrato e a antiguidade, e a última declaração de IRS com a nota de liquidação (o documento das Finanças com o resultado do imposto).
Trabalhador independente ou empresário:
as declarações de IRS dos últimos anos, os recibos emitidos e declarações de que não tem dívidas às Finanças e à Segurança Social. Os bancos costumam pedir um historial mais longo, porque o rendimento varia mais.
Em todos os casos:
os extratos bancários dos últimos meses, onde o banco confirma a entrada do rendimento e as despesas fixas.
Rendimentos de fora de Portugal:
os comprovativos equivalentes do país de origem, muitas vezes com tradução. Cada banco tem regras próprias para estes casos.

Documentos da casa

Quando já escolheu a casa, o banco precisa dos documentos do imóvel para o avaliar e preparar o contrato:

  • caderneta predial, a ficha da casa nas Finanças
  • certidão permanente do registo predial, que mostra quem é o dono e se há hipotecas ou outros encargos
  • certificado energético
  • contrato-promessa de compra e venda, se já foi assinado
  • planta da casa, em alguns casos

Com estes documentos, o banco pede a avaliação. Em regra, o valor emprestado é calculado a partir do mais baixo entre o preço de compra e o valor da avaliação. Se a avaliação ficar abaixo do preço, a diferença tem de sair das suas poupanças ou ser negociada com o vendedor.

O que o banco analisa antes de decidir

Taxa de esforço:
a parte do seu rendimento mensal que fica comprometida com prestações de créditos, contando já com a nova. O Banco de Portugal recomenda limites para esta proporção, e os bancos seguem-nos na análise.
Entrada:
o valor que paga com dinheiro seu. O banco não costuma financiar a totalidade da casa, e uma entrada maior pode melhorar as condições oferecidas.
Estabilidade do rendimento:
o tipo de contrato de trabalho, a antiguidade e a regularidade do que recebe.
Historial de crédito:
como pagou créditos anteriores e que créditos tem hoje, que o banco consulta na Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal.
Idade e prazo:
o prazo do empréstimo tem limites e depende também da idade de quem o pede.

Termos que vai encontrar nas propostas

TAN:
a taxa anual nominal, o juro que paga sobre o dinheiro emprestado.
TAEG:
a taxa anual efetiva global: o custo total do crédito num só número, com juros, comissões, seguros obrigatórios e impostos. É o valor certo para comparar propostas de bancos diferentes.
Euribor:
a taxa de referência a que os bancos da zona euro emprestam dinheiro entre si. Num crédito com taxa variável, o juro acompanha a Euribor.
Spread:
a margem que o banco soma à Euribor. Fica fixada no contrato e é uma das partes que se podem negociar.
Taxa fixa, variável ou mista:
com taxa fixa, a prestação não muda durante o período acordado; com taxa variável, sobe e desce com a Euribor; a mista começa fixa durante alguns anos e passa depois a variável.
FINE:
a Ficha de Informação Normalizada Europeia, o documento que o banco entrega com as condições da proposta. Tem o mesmo formato em todos os bancos, para as propostas se poderem comparar lado a lado.

Os bancos costumam exigir um seguro de vida e um seguro multirriscos da casa. Pode contratá-los noutra seguradora, desde que as coberturas sejam equivalentes às exigidas; confirme na proposta se isso altera o spread.

Como preparar o pedido

  • Reúna os documentos antes de pedir simulações, para as propostas serem feitas com números reais.
  • Evite contrair novos créditos nos meses anteriores ao pedido, incluindo compras a prestações.
  • Reveja os cartões de crédito: o limite disponível pode contar como responsabilidade, mesmo sem o usar.
  • Confirme que os extratos bancários mostram a entrada regular do rendimento.
  • Compare as FINE de vários bancos pela TAEG, e não só pela prestação.

Como podemos ajudar

A Surpresa Plena ajuda a preparar o processo de crédito em parceria com intermediário de crédito autorizado: Fernandes & Mota Intermediários, Lda (DSIC Algés), registo n.º 0007037 no Banco de Portugal.

Um intermediário de crédito é uma entidade registada no Banco de Portugal que apresenta o seu pedido aos bancos e acompanha a análise. Pode confirmar o registo de qualquer intermediário no Portal do Cliente Bancário.

Onde confirmar a informação

  • Portal do Cliente Bancário: o crédito habitação explicado pelo Banco de Portugal, o mapa de responsabilidades de crédito e a lista de intermediários de crédito registados.
  • Portal das Finanças: declarações de IRS e declarações de que não tem dívidas às Finanças.

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